Medição
Quanto acerta este tradutor de braille português
Comparado com liblouis, a implementação de referência: 5041 textos, 100% idênticos. A versão 3.29.0 contradizia a norma em dois sinais; a 3.39.0 corrigiu-os.
- Pergunta
- O braille que este sítio escreve é o mesmo que produz a implementação de referência?
- Comparado com
- liblouis 3.39.0 (pt-pt-g1), publicada a 1 de setembro de 2026, tabela "unicode.dis,pt-pt-g1.utb"
- Sobre
- 5000 palavras e 41 frases construídas
- Publicado em
/data/pt-reference.tsv
O resultado
| O que se verifica | Quantos | Idênticos |
|---|---|---|
| Palavras da lista de frequência | 5000 | 100% |
| Frases com maiúsculas, algarismos, aspas e pontuação | 41 | 100% |
| Medido | 5041 | 100% |
As palavras são as mais frequentes do português do Brasil por ordem de frequência, de hermitdave/FrequencyWords —legendas do OpenSubtitles, CC BY-SA 4.0— filtradas às que só contêm letras portuguesas: são as 5000 primeiras que cumprem essa condição. As frases estão escritas à mão porque uma lista de palavras em minúsculas não consegue ver o que mais falha: as maiúsculas, os números, as aspas angulares e a pontuação.
Todas as palavras também voltam ao texto original quando se traduzem de braille para texto, o que é uma verificação diferente e mais exigente do que a ida.
Os dois sinais em que a referência discordava da norma
Até 17 de setembro de 2026 esta medição foi feita com liblouis 3.29.0, e em dois sinais a tabela dessa versão contradizia a norma publicada: o apóstrofo, que escrevia com o ponto 6, e as reticências, que escrevia 3-5 2-6 3-5. Esta página dizia o que faria mudar de ideias — se liblouis corrigisse a tabela, o teste de conformidade deste sítio falharia. Foi o que aconteceu. liblouis 3.39.0, publicada a 1 de setembro de 2026, reviu a tabela portuguesa de grau 1, e os dois sinais passaram a seguir a norma:
- Reticências. “As reticências, representadas pelo sinal composto ⠄⠄⠄ (3 3 3)” — Grafia Braille para a Língua Portuguesa, 3.ª edição (MEC, 2018), §36. liblouis 3.39.0 escreve ⠄⠄⠄, como este sítio.
- Apóstrofo. “O sinal ⠄ (3) representa também o apóstrofo” — Grafia, §35. Entre letras liblouis 3.39.0 escreve agora o ponto 3: d'água é ⠙⠄⠷⠛⠥⠁, como aqui. Um apóstrofo reto sozinho lê-o como aspas simples, 56-236, o sinal que a grafia conjunta de 2002 dá às outras variantes de aspas — uma leitura defensável desse carácter, e por isso já não conta como defeito.
Continuam descritos em inglês, marcados como corrigidos, em Eleven bugs we found in the reference braille tables, para quem ainda use uma versão antiga. E se um transcritor mostrar que a leitura da norma aqui está errada, diga — a correção de quem lê com os dedos vale mais do que qualquer teste automático.
O que fica fora desta medição
As 5041 entradas também não têm um número seguido de letra, nem aspas curvas, nem parênteses junto de algarismos. Nesses três casos era este tradutor que escrevia mal, e a referência bem: 15h saía com as células de 158, por faltar o ponto 5 antes da letra. Foi encontrado a 2 de outubro de 2026, ao passar números e pontuação em contexto pelos dois, e está corrigido e conferido com os exemplos da Grafia (n.os 16, 37 e 38).
As 5041 entradas não têm números com ponto de milhar nem ordinais escritos sem ponto, e é aí que este sítio e a referência não escrevem o mesmo:
- O ponto separador de classes. A Grafia (3.ª edição, 2018, n.º 14) mantém-no dentro do número, com um só sinal de número: 4.000.000 é ⠼⠙⠄⠚⠚⠚⠄⠚⠚⠚, e é assim que este sítio escreve. O liblouis 3.39.0 repete o sinal de número depois de cada ponto, ⠼⠙⠄⠼⠚⠚⠚⠄⠼⠚⠚⠚; a versão 3.29.0 não o fazia. Está descrito, com ficheiro e linha, na página dos defeitos.
- Os ordinais. A Grafia (n.º 15) escreve-os com os algarismos na posição inferior: 1º é ⠼⠂⠕. Este sítio segue essa forma quando o ordinal vem sem ponto. O liblouis escreve sempre o algarismo normal, o ponto e a terminação, ⠼⠁⠄⠕, que a edição portuguesa da Grafia diz ser a forma mais difundida em Portugal — uma escolha, não um defeito. Com ponto, 1.º, os dois escrevem ⠼⠁⠄⠕. Até 2 de outubro de 2026 este sítio escrevia 1º como ⠼⠁⠕, que não é nenhuma das duas formas.
Em texto corrido: um romance inteiro
Uma lista de palavras não tem pontuação dentro de uma frase, nem aspas, nem a ortografia de outras épocas. Por isso traduz-se também um livro inteiro, Dom Casmurro, de Machado de Assis —o texto do Projecto Gutenberg, livro n.º 55752, na ortografia de 1899: 65119 palavras—, com este tradutor e com liblouis 3.39.0, e compara-se palavra a palavra.
Diferem 132 palavras, 0,203%, de duas espécies:
- 99 trazem um traço inferior, que é como essa edição marca o itálico. Este tradutor não escreve o traço inferior e avisa; a referência escreve os pontos 4-6, 3-6. O sinal de itálico da Grafia é outro, os pontos 3-5 (n.º 31).
- 33 trazem uma vogal com acento grave que não tem célula própria — flòr, què, na ortografia da época. A Grafia (n.º 54.2) manda antepor à letra o diacrítico do acento grave, pontos 2-6: flòr é ⠋⠇⠢⠕⠗. A referência escreve o ò com a célula do ó e o è com os pontos 2-3-4-6.
Foi esta medição que mostrou que o tradutor deixava essas vogais de fora. Desde 11 de outubro de 2026 escreve-as como a Grafia manda, e o mesmo com î, û, ä, ë, ï, ö e ñ: o diacrítico e depois a letra.
Fora dessas duas espécies não há diferença nenhuma. As 132 estão, cada uma com a sua frase e as duas escritas, em expected-running-text-differences.tsv, e o texto medido é /data/casmurro-body.txt. A verificação repete-se antes de cada alteração.
Porque é que 100% não é uma boa nota
Em braille português de grau 1 cada letra é uma célula e não há nada a decidir. Não existe uma escrita defensável diferente da de referência: qualquer divergência é um defeito da tabela. Por isso o valor esperado é exatamente 100%, e publicá-lo diz menos do que parece — o que diria alguma coisa era não o atingir.
O contraste com o inglês é o dado interessante. O braille inglês unificado de grau 2 abrevia, e abreviar admite critério: o próprio regulamento reconhece que a mesma palavra pode sair abreviada de duas maneiras de uma transcrição para outra (Rules of Unified English Braille, 10.12.10). O motor inglês deste sítio chega aos 99,98% perante a mesma referência, e publica a palavra que falha. Esses 99,98% são um resultado mais difícil do que estes 100%.
Grau 1, sem abreviaturas. O braille português abreviado —a estenografia— é um sistema à parte com a sua própria medição por fazer, e dizer aqui que está coberto antes de o medir seria exatamente o erro que esta página existe para não cometer. Também não entram a notação matemática nem a musical, que têm códigos próprios.
As treze letras que o tornam necessário
Se o braille português fosse o inglês com acentos, não seria preciso tabela nem medição. Não é. E não é um caso raro: 15,8% das 5000 palavras portuguesas mais frequentes —791 delas— leva uma destas treze letras. Escrever português com a tabela inglesa falha em quase uma palavra em cada seis, e falha em silêncio, porque o resultado continua a parecer braille.
| Letra | Célula | Pontos | Em braille inglês | Em braille espanhol |
|---|---|---|---|---|
à | 1-2-4-6 | 3 células | nenhuma letra | |
á | 1-2-3-5-6 | 3 células | a letra á | |
â | 1-6 | 3 células | nenhuma letra | |
ã | 3-4-5 | 3 células | nenhuma letra | |
ç | 1-2-3-4-6 | 3 células | nenhuma letra | |
é | 1-2-3-4-5-6 | 3 células | nenhuma letra | |
ê | 1-2-6 | 3 células | nenhuma letra | |
í | 3-4 | 3 células | a letra í | |
ó | 3-4-6 | 3 células | a letra ó | |
ô | 1-4-5-6 | 3 células | nenhuma letra | |
õ | 2-4-6 | 3 células | nenhuma letra | |
ú | 2-3-4-5-6 | 3 células | a letra ú | |
ü | 1-2-5-6 | 3 células | a letra ü |
Verifique por si
Nada disto tem de se acreditar. liblouis é software livre, por isso a comparação refaz-se em duas ordens:
lou_translate unicode.dis,pt-pt-g1.utb <<< "coração"
e o resultado tem de ser o mesmo que devolve o tradutor desta secção para a mesma palavra. O ficheiro de referência completo está publicado em /data/pt-reference.tsv, com o texto e a saída da referência em cada linha.
O valor como imagem
Para citar, ligar ou pôr num diapositivo.
